Interpretação para Máscara

O Núcleo Educatho, com o objetivo de se tornar uma referência no estudo da máscara, criou um treinamento específico em máscara para atores profissionais e estudantes de teatro, com duração de doze meses, divididos em dois módulos.

A proposta é criar um espaço de treinamento para o estudante/ator se aperfeiçoar nas técnicas da utilização da máscara. A cada módulo o participante entrará em contato com diferentes máscaras, iniciando pela máscara neutra, larvária e expressiva, palhaço, bufão e com término nas máscaras da commedia dell´arte, além de passar por treinamentos específico como: jogos e improvisos, criação de corpo cômico, corpo narrativo, circo, danças brasileira e confecção de máscaras.

O curso será oferecido para apenas doze participantes, sendo estes selecionados por meio de análise curricular e posteriormente por uma entrevista marcada com a equipe do Núcleo Educatho.

Ao final do segundo módulo será desenvolvido um espetáculo, com direção e produção da equipe do Núcleo Educatho.

 

Início do Primeiro Módulo: 07/08/2017 (período manhã)

Especificações de cada Módulo:

Primeiro Módulo

A Máscara Neutra

Desenvolvida por Jacques Copeau foi fundamental na retomada da cena teatral no pós- guerra. Será estudado a neutralidade e o corpo; a iniciação à máscara neutra e os oito passos do batismo; o olhar por detrás da máscara; o esconder para revelar; o menos igual a mais; a segmentação; a angulação; a triangulação, entre outras técnicas que compõe o conhecimento desta máscara.

 As Máscaras Larvárias

Descoberta nos anos sessenta no Carnaval de Basel na Suíça, as máscaras Larvárias referem-se a formas simplificadas da figura humana. Foram usadas por Jacques Lecoq na École Internacionale de Théâtre Jacques Lecoq, como uma larva que se lança na descoberta do mundo. Será trabalhada a compreensão do espaço cênico como espaço de jogo; a relação entre as máscaras como criação do jogo teatral e espaço para a improvisação livre. O movimento; as características das máscaras; a descoberta do eixo; pré-expressividade e expressividade; a animalização são elementos a serem trabalhadas ao longo do curso.

Jogos e Improviso

Nesta disciplina descobriremos os mecanismos de construção de uma plataforma de jogo numa improvisação de cena, onde é muito importante a observação do parceiro com quem se contracena. A postura silenciosa de um ator já pode nos revelar muitas histórias, então muitas possibilidades de uma cena improvisada se abrem. O jogo se ampara em algumas regras, um caminho a ser percorrido, como um pequeno roteiro para guiar o ator num jogo de improvisação.

Danças Brasileiras

Baseada na formação de teatro físico, esta disciplina, foca no trabalho corporal do interprete (ator, performer, dançarino), visa um contato consistente com as danças populares de Pernambuco que busquem o desenvolvimento da expressão corporal dos participantes. Nela os alunos realizarão uma série de treinamentos corporais. Neste método de trabalho, a disponibilidade, a escuta e engajamento físico e a criação conjunta são os principais elementos. Os alunos irão desenvolver um estudo sobre seus corpos em ação com o atravessamento das manifestações populares de Pernambuco, especificamente Maracatu de Baque Solto, frevo e Cavalo Marinho.

Criação do Corpo Cômico

O estudo do corpo cômico se dará à partir da observação minuciosa  da anatomia humana, explorando as possibilidades de movimentos, imagens, ritmos, gestos, ações e posturas risíveis, assim como os caminhos para a construção do corpo de um personagem cômico. Partindo disto, será possível estabelecer jogos de relações e construir partituras corporais. 

Corpo Narrativo

Experimentar as possibilidades de diálogo entre o objeto livro, a arquitetura corporal e as possibilidades vocais, é o objetivo desta oficina. Buscar nas formas de envolvimento e intimidade com os materiais  corpo, voz e objeto livro, o caminho para tecer conexões que tragam maior expressividade ao ato comunicativo, seja da leitura em voz alta como do contar “com o livro em presença”. Uma inscrição do corpo e do livro no espaço pode ser apoiada por um maior grau de decisão e de inter-relação. O espaço é resignificado assim como um espaço afetivo, um lugar, também para público. Invisibilidades e atmosferas surgidas da relação do corpo com o espaço, com as dinâmicas gestuais, com o livro e com o outro estão em jogo nesta partilha de experiências.

Circo

Experimentar as possibilidades acrobáticas individual e em grupo. Explorar novas formas e contexto para realizar tais acrobacias e figuras corporais. Desenvolvimento de força, habilidade, agilidade, segurança, flexibilidade e atenção para com o grupo, fazendo-se assim um trabalho seguro e preciso. Trabalhando com jogos, pesquisas e muito contato uns com os outros, criando assim maior intimidade e confiança em si e no grupo.

Música

Esta disciplina visa proporcionar vivências que sirvam como ferramentas para que o ator consiga aliar a música como linguagem colaborativa à cena, bem como saber responder à mesma durante o jogo cênico. O foco está na “musicalidade” e não na música em si, de forma que o aluno que não saiba tocar algum instrumento não será obrigado a aprender, mas poderá de forma prática experimentá-los criando intervenções musicais para a cena e/ou respondendo a seus estímulos.

Segundo Módulo

Máscaras Expressivas

O trabalho com as máscaras expressivas tem o papel de possibilitar ao estudante/ator uma experiência em que se intensificam e se fixam todos os códigos trabalhados com as máscaras anteriores, preparando o ator para a passagem das máscaras de base para a meia máscara expressiva. Será pesquisado a aplicação da máscara e da contra-máscara ou impulso e contra-impulso; os detalhes quase realistas de composição; a utilização de figurinos e composições corporais com próteses, entre outras técnicas.

 Bufão

A Bufonaria, vem como um elemento fundamental do estudo da comédia física, da comédia satírica, da paródia de todos os tempos. Os bufos são responsáveis desde o Teatro Grego, Shakespeare, Teatro de Revista e Teatro de Rua, como aquele ente, aquele episódio na narrativa ou tessitura dramatúrgica, como quem eclode a provocar as atrocidades humanas de forma cômica, boba, de escarnio, de escracho e totalmente distanciada de uma lógica psicolizada ou existencial. Então para o trabalho, embora os bufos sejam figuras muito míticas e estejam presentes na nossa literatura e nas nossas culturas das mais ancestrais, os bufos para o trabalho do ator, eles são máscaras potentes para o maior estado de delírio que ele possa alcançar, e,  contribui para o estudo das máscaras cênicas que tem a função de revelar um estado potente de provocação e vem de encontro como um debate para confrontar as máscaras sociais a mais veladas que vivemos hoje de individualismo, de luta pelo próprio interesse que é um equívoco de agir por um certo ente narcisista, os bufos contradizem isso, porque eles sempre andam em bando, eles pregam a coletividade, o dialogo em rede, mesmo que seja de forma debochada.

Palhaço 

Com a menor máscara do mundo, o nariz vermelho, complementaremos a jornada iniciada anteriormente nos cursos do “Jogos e Improviso” e do “Corpo Cômico”. Agora, a pesquisa para construção deste palhaço será à partir da pergunta “quem sou eu?” É lá que vamos descobrir a essência do palhaço de cada um e suas peculiaridades. Aprender a rir de si mesmo, fazer de seu fracasso o riso e abrir espaço para suas habilidades específicas e potenciais poéticos. Faremos uma investigação prazerosa onde iremos encontrar o risível de cada um. Sempre buscando a maneira mais sincera de manter a cumplicidade com a platéia.

As Máscaras da Commedia dell’arte

Com a sua aparição na Itália do século XVI e sucessiva difusão e adaptação em toda Europa, a commedia dell’arte determina uma reviravolta importantíssima na história do teatro. Com ela o teatro ritualístico ou diletante torna-se profissão, nasce o ator novo, depositário de uma ciência do recitar. Nasce, portanto, o teatro moderno. Apresentada hoje em dia, a Commedia dell’arte revela-se disciplina rigorosa, cujo conhecimento é indispensável àqueles que do teatro fazem ou tem o interesse em fazer uma escolha profissional. Serão trabalhadas as personagens clássicas da Commedia, juntamente com monólogos e diálogos que serão apresentados ao final do módulo para o público interessado.

Coordenador Geral - Joca Andreazza

Formado em Artes Cênicas pela UNICAMP em 1990, foi professor nesta instituição por dois anos (2006-2008). Na UNISO – Universidade de Sorocaba – trabalhou por três anos (2005-2008) como professor na formação de Arte-educadores. Foi bolsista do FAP-Funcamp (Fundação de Apoio à Pesquisa – UNICAMP), onde desenvolveu o projeto intitulado “Um estudo da comédia do Renascimento italiano”. Posteriormente ministrou cursos sobre “o trabalho do ator com a máscara” em várias cidades do Brasil, no Peru, em Londres na Queen’s Mary University e Claremont Center e em Colima no México na Universidade de Colima.

Junto ao SESC-Carmo organizou a primeira mostra Sesc de Teatro de Rua, com grupos Nacionais e Internacionais. Na Oficina Estadual A. Mazzaropi implantou o Núcleo de Estudos de Teatro de Rua e dentro da UNISO – Universidade de Sorocaba – criou o NUTRU – Núcleo Universitário de Teatro de Rua. Ministrou palestras sobre o tema “Teatro de rua” em várias cidades do estado de São Paulo, em Recife na UFPE – Universidade Federal de Pernambuco e no Rio de Janeiro na UNIRIO.

Em sua carreira de ator destacam-se os espetáculos: “Os Lusíadas” (2002), como narrador do espetáculo; “Agreste” (2004) Prêmio Shell e APCA de Melhor Texto, além das indicações para Melhor Ator no Prêmio Shell e no Prêmio Qualidade Brasil de 2004 (categoria drama); “Anatomia Frozen” (2009) Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro de Melhor Elenco. Em 2011 participou da Mostra Comemoração dos 20 anos da Cia Razões Inversas e em 2012 recebeu Prêmio APCA de Melhor Ator pelo seu trabalho em “A Bilha Quebrada” de Heinrich Von Kleist e “A Ilusão Cômica” de Pierre Corneille.